Mudanças no atendimento nas casas de repouso na covid-19. Confira nesse artigo as mudanças nos cuidados de Enfermagem nesse período.
A população idosa cresce gradativamente no Brasil e um dos fatores que contribui para esse crescimento é o aumento na expectativa de vida da população, relacionada a melhores condições e acesso aos serviços de saúde. Durante o processo de envelhecimento, o ser humano tenta se readaptar a um novo modelo de vida, pois há uma diminuição na sua capacidade de adaptação e na sua capacidade motora. Por esse motivo, é de suma importância acompanhar o desenvolvimento desse individuo, para garantir que ele percorra esse processo de forma saudável, e que, sua independência e capacidade de realizar o autocuidado sejam estimulados.
O convívio com o idoso pode ser algo bastante desafiador, pois, é necessário o desenvolvimento de diferentes hábitos de cuidado, somado a muita dedicação e paciência. Geralmente, a família é a responsável por acompanhar e dar todo o suporte necessário para o bem-estar do idoso. Porém, a falta de habilidade em relação a algum tipo de cuidado específico, assim como a dificuldade de compreensão do comportamento do idoso, ou até mesmo, a falta de condição financeira, faz com que muitas famílias não aceitem fazer o papel de cuidadores e tentam buscar ajudar. Para respaldar e ajudar os idosos com as atividades do dia a dia, as Instituições de Longa Permanecia para Idosos (ILPI) oferecem a atenção integral e suporte para esses indivíduos.
ILPI x covid-19
As Mudanças no atendimento nas casas de ILPI se tornaram os “principais alvos” do covid-19 durante a pandemia, pois devido a fragilidade destes pacientes, tais locais demonstraram ser o ambiente ideal para que o vírus se espalhasse e levasse inúmeros idosos a óbito. Os idosos têm uma maior possibilidade de desenvolver complicações, principalmente, quando já apresentam doenças de base como insuficiência cardíaca, hipertensão e diabetes. Essas comorbidades, ao afetar essa faixa etária, fazem com que os idosos fiquem ainda mais vulneráveis e expostos a qualquer tipo de infecção. Devido a esse histórico, observou-se que houve um aumento na taxa de transmissibilidade superior a 60% com mortalidade associada a infecção pelo coronavírus, em indivíduos com mais de 60 anos, com isso foi feitas mudanças no atendimento nas casas de repouso.
O combate ao covid-19 nas ILPI exigiu grande esforço dos profissionais de saúde, principalmente da equipe de enfermagem. A velocidade de propagação dessa nova doença impôs um ritmo de trabalho para o qual a maioria das instituições de saúde não estavam preparadas, o que alterou de maneira significativa a rotina assistencial dos enfermeiros. Devido ao grande impacto que a covid-19 causou, foi de extrema importância que protocolos e/ou orientações fossem adotados nas ILPI, assim como a promoção de medidas de controle durante o cuidado aos idosos residentes nessas instituições. Além disso, foi necessário controlar o fluxo de profissionais que frequentavam as ILPI e diferentes ambientes, como hospitais e outras unidades de saúde ao mesmo tempo, com o objetivo de diminuir a contaminação cruzada e consequentemente o risco de infecção.
As ILPI oferecem uma assistência integral à população idosa que é totalmente dependente de cuidados. Porém, durante a pandemia do covid-19, observou-se que esses ambientes apresentam um maior risco para os idosos que estão internados, pois o alto fluxo de pessoas que trabalham nessas instituições, assim como a falta de treinamento da equipe multiprofissional, é capaz de proliferar o vírus para uma população vulnerável, frágil, dependente e que, em sua maioria possuem doenças crônicas.
Contaminação por covid-19
Os casos de contaminação por covid-19 apresentaram-se de diferentes formas, desde casos assintomáticos, aqueles com sinais e sintomas leves, até a forma mais grave da infecção, que exigem internação e suporte respiratório. O acompanhamento dos pacientes acometidos pelo covid-19, contribuiu para a identificação precoce dos sinais de agravamento da doença. Isso possibilitou a elaboração de estratégias de cuidados mais adequadas. As medidas preventivas foram implantadas com o objetivo de controlar a disseminação do vírus entre a população.
Em ambientes como os das ILPI, as chances de contaminação foram ainda maiores, e, com o objetivo de evitar ainda mais o aumento de casos de idosos infectados pelo covid-19, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), lançou uma nota técnica para orientar como prevenir e controlar a nova infecção causada pelo coronavírus. Por essa razão, medidas de prevenção e controle foram adotados por essas instituições, durante o cuidado aos residentes e o foco foi controlar casos de idosos suspeitos, que apresentavam os sintomas da doença, como também, casos de idosos diagnosticados pelo vírus.
Visto que o isolamento social foi uma das recomendações para diminuir a propagação do coronavírus e a população idosa fazia parte do grupo de risco para infecção, houve a necessidade de desenvolver estratégias de cuidado para cuidar do bem-estar e da saúde mental dessa população. Alguns autores afirmam que, fatores como, medo da perda de familiares e da própria vida, problemas de saúde, dificuldade financeira, conflitos familiares, perda da independência e autonomia e o próprio isolamento, foram apontados entre os fatores que mais causaram suicídio entre os idoso durante a pandemia.
Medidas
Para minimizar os impactos decorrentes do isolamento social, foi necessária a realização de ações educativas e estímulo às atividades físicas, bem como o uso de tecnologias como o uso de celular, como também, a realização de atividades manuais, com o objetivo de apoiar a aproximação e diminuir o impacto da pandemia nessa faixa etária. Entre os impactos da covid-19 em idosos, existem aqueles precursores nas alterações da saúde mental desta população em consequência do isolamento social e a alteração nos aspectos éticos e sociais, visto que a idade muitas vezes serve como decisão de tratamento e alocação de recursos e cuidado. Desta maneira as estratégias mais adequadas é manter todos os suportes disponíveis a nível emocional, financeiro e de cuidados em saúde.
Além disso as mudanças no atendimento nas casas de repousos e outras medidas foram adotadas para contribuir com as intervenções de enfermagem nas ILPI e entre elas estão: a prevenção e controle para acabar com a disseminação do vírus, por meio do monitoramento da limpeza dos ambientes, como também, impedimento do contato direto entre pessoas que não estivesse fazendo uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) e monitoramento da entrada e saída de pessoas; o gerenciamento de cuidado, onde o foco foi diminuir o tempo em áreas comuns e replanejar as rotinas de cuidados de forma que houvesse uma diminuição nas aglomerações entre profissionais e residentes; a saúde e segurança do profissional, pois monitorava o uso de EPI entre os profissionais e residentes, além de, mapear os casos suspeitos e diagnosticados pelo covid-19, e, a comunicação com a família, que garantiu as atualizações sobre a saúde dos residentes para seus familiares.
Inúmeros são os fatores que influenciam na transferência do idoso do seu ambiente familiar para as ILPI, mas o principal deles é o objetivo da família em garantir que esse idoso seja assistido integralmente por profissionais capacitados. Porém, devido a maior parte da população idosa apresentar doenças crônicas e problemas relacionados aos sistemas motor e imunológico, as infecções podem ser facilmente desenvolvidas. Por conta disso, as ILPI demonstraram ser ambientes nos quais poderia ocorrer a disseminação do vírus do covid-19, o que de fato aconteceu em muitas instituições e resultou na contaminação de inúmeros idosos. Os estudos analisados indicaram que os pacientes apresentaram quadro clínicos diferenciados, como aparecimentos de sintomas físicos e mentais, em menor ou maior gravidade.
O enfermeiro como membro principal do sistema de gerenciamento das ILPI, contribui para coordenar a implantação de medidas de cuidado, com o propósito de promover a saúde, prevenir e controlar a disseminação do vírus. Cabe ao enfermeiro adotar estratégias para diminuir o risco de infecção e mortalidade. É evidente os enormes desafios encontrados por tais profissionais em implantar medidas de prevenção e cuidado contra uma doença pouco conhecida naquele momento e em tão pouco tempo.
Foi possível constatar que, quanto maior a capacitação e organização da assistência do pessoal de enfermagem melhores são os resultados obtidos na segurança da assistência a população idosa e que o enfermeiro precisa estar preparado para agir em diferentes situações, até mesmo em emergências. Apesar da importância de estudos na área de atenção à saúde do idoso, foram encontradas poucas publicações relacionadas especificamente a atuação da enfermagem.
Texto adaptado de meu artigo original:
Chã, N. V., Vitorino, P. G. da S., Mejía, J. V. C., Flauzino, V. H. de P., Cusato, T. V., Gomes, D. M., Ribeiro, D. V., Hernandes, L. de O., Lima, T. O. de P., & Cesário, J. M. S. (2021). Changes in nursing care for the elderly in long-term care institutions during the covid-19 pandemic. Research, Society and Development, 10(9), e26510918101. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i9.18101.



