A enfermeira pesquisadora Daiana Gomes, nessa entrevista fala um pouco sobre a vida acadêmica e habilidades comerciais importantes.
Olá, querido leitor!
Nessa entrevista eu converso com a Enfermeira Daiana Moreira Gomes, uma carioca, criada na Bahia e que hoje vive em Nova Iorque. Ela desenvolveu sua carreira acadêmica e habilidades comerciais importantes, que hoje aplica em seu próprio negócio americano. Espero que goste, vamos a entrevista.
Bem-vinda Daiana, para começarmos, me fala de você…
Meu nome é Daiana, tenho 35 anos, sou enfermeira pesquisadora, carioca criada na Bahia. Desde criança sempre gostei da área da saúde e tinha como planos seguir a profissão de médica. Terminei meu ensino médio com em 2004 aos 17 anos de idade e fui fazer cursinho pré-vestibular para medicina. Como meu foco era passar em uma faculdade pública, tentei enfermagem e passei, foi então, que descobri a importância do enfermeiro. Essa percepção, se deu pelo fato de a enfermagem ser umas das profissões mais lindas, pois proporciona o cuidado e contato entre profissional e cliente. Me formei em 2014, tive 2 diplomas (Licenciatura e Bacharel), durante a faculdade adquiri inúmeras experiências como: monitoria, bolsista de projeto de iniciação cientifica, bolsista de programa de extensão, porém, não tive nenhuma experiencia prática profissional. Terminei a faculdade e fui direto para área de vendas. Trabalhei em umas das maiores empresas de marketing multinível no Brasil, onde formei uma equipe com mais de 2.000,00 (dois mil) consultores, e meu papel era liderar, treinar, palestrar e analisar novas estratégias de recrutamento e vendas. Trabalhei por 5 anos nessa empresa. Desde a época da faculdade tive vontade de validar meu currículo de enfermagem nos EUA, por essa razão, que entrei na empresa de vendas, para fazer dinheiro e ir embora. Foi então, que em 2019, resolvi vim para EUA para fazer um curso de inglês, como primeiro passo dos meus planos. Após começar o curso, resolvi então fazer o processo de mudança de status do visto e começar o processo de validação do currículo enfermagem aqui nos Estados Unidos. Validei o currículo e estou aguardando passar na prova do Nclex-RN para começar a praticar aqui no EUA.
Quais são suas experiências acadêmicas e profissionais?
Minha experiencia acadêmica foi vasta, durante a faculdade adquiri inúmeras experiências como: monitoria, bolsista de projeto de iniciação cientifica, bolsista de programa de extensão, participação em inúmeros eventos científicos com apresentação de trabalhos. Meu trabalho de conclusão de curso foi a continuação de minha bolsa de iniciação cientifica, desenvolvi uma pesquisa de campo que abordava o ensino/aprendizagem em universidades cariocas para me tornar uma enfermeira pesquisadora. O trabalho teve uma excelente repercussão que fui solicitada a expandir a entrevista para os professores. Apresentei o trabalho eventos científicos em todo Brasil, que foi utilizado como trabalho de conclusão de curso e anos depois foi publicado como artigo científico. Atuei como presidente da Liga de Sistematização da Assistência de Enfermagem da UFRH e apresentei os trabalhos desenvolvidos pelos integrantes da liga em eventos realizados pela ABEn do RJ, e toda essa experiencia que ralei para ser uma enfermeira pesquisadora
Por que a Enfermagem?
A enfermagem é quem me escolheu, através dela posso expressar toda minha dedicação, cuidado, respeito e amor ao próximo, às vezes eu não durmo a noite, eu estudo para conhecer a dor, as medicações, a humanização, entre tantas outras coisas que é fundamental saber para que não haja nenhum erro durante o período em que uma vida estiver em minhas mãos. Mas antes de ser formada eu queria encontrar uma forma de ajudar as pessoas, encontrar umas formas de poder resolver e solucionar problemas que elas seriam incapazes de solucionar, principalmente quando falamos de saúde, tive a experiência em casa de ver meu pai sofrer por um câncer terminal, e ver minha família sofrer ao passar por tudo aquilo juntamente com ele.
Confesso que não sabia o que fazer e queria ajudar de alguma forma, mesmo que fosse com um apoio emocional. Foi quando eu vi que queria oferecer algo além da ajuda emocional, queria que as famílias encontrassem suporte, apoio e compaixão. Eu queria que o paciente tivesse a oportunidade de obter os melhores cuidados e tratamentos. Então percebi o quanto o cuidado é importante para o desenvolvimento do bem-estar e recuperação do paciente, assim como também, é importante para a família. E nada melhor do que a enfermagem para oferecer isso. Tive inúmeras oportunidade na faculdade, e de verdade, eu aproveitei o máximo que eu pude aproveitar para ser uma enfermeira pesquisadora.
Quando vi que a licenciatura e prática poderiam estar conectadas eu fiquei ainda mais encantada. A prática diferenciada do enfermeiro em ver um paciente como um todo e não somente como doença, só comprovou e me deu a certeza que todo profissional para ser tornar um profissional de saúde precisaria ser enfermeiro primeiro, pois assim, aprenderia o que é cuidar.
O que você faz atualmente?
Atualmente moro nos EUA, estou fazendo o processo de validação do meu currículo de enfermagem aqui no país. Sou enfermeira cientista com mais de 20 artigos publicados em ótimas revistas cientificas do Brasil. Sou membro fundadora e faço parte da diretoria da Associação Brasileira de Enfermeiros Cientistas – ABRENC, além de atuar na como enfermeira pesquisadora.
Me fala 3 características de destaque, como enfermeira.
Empatia, comunicação, criatividade e pensamento crítico. A empatia é a capacidade de você sentir o que uma outra pessoa sente caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela, ou seja: procurar experimentar de forma objetiva e racional o que sente o outro a fim de tentar compreender sentimentos e emoções. A comunicação é saber se expressar de forma clara e precisa, tanto no modo escrito como falado, é fundamental para um bom relacionamento no ambiente de trabalho seja interno ou externo.
A excelência na capacidade de comunicar-se repercute de forma altamente positiva no seu desenvolvimento profissional. A criatividade serve para encontrar novos métodos de trabalho que possam melhorar ainda mais o dinamismo da instituição. O pensamento crítico é uma avaliação voluntária diante de um fato, comentário, experiência ou conteúdo, que usa argumentos para determinar uma resposta diante desse estímulo. Ou seja, o pensar de modo crítico envolve uma observação inicial, seguida por um julgamento diante de um cenário ao qual se depara.
Me conte sobre uma dificuldade que teve e como lidou com a situação?
Minha maior dificuldade foi lidar com a doença de meu pai. Ele começou a piorar no período que eu estava fazendo o 4º período de faculdade e quando ele estava nas últimas, graças a Deus a faculdade entrou em greve e fui passar os últimos dias com ele. Na época, eu fazia faculdade no RJ, mas minha família estava na Bahia, então eu não conseguia ir e voltar a todo momento, somente em épocas de férias mesmo. Então com a greve, tive a oportunidade de ir e ficar uns dias na Bahia com minha família. Foram os momentos mais difíceis da minha vida, porque eu estava dando adeus ao meu maior incentivador, amigo e melhor pai do mundo. Foi então que, decidi, por ele, dar o melhor de mim aos pacientes que fossem passar por minhas mãos a partir daquele dia. E é isso que me ajuda a superar e ao mesmo tempo me motiva a dar o meu melhor.
Qual a sua maior paixão na Enfermagem?
A possibilidade de oferecer o cuidado diferenciado e acompanhar de perto a evolução que alguém precisa naquele momento. Para mim a definição de uma enfermeira: ir além do chamado do dever. A primeira a trabalhar e a última a sair. O coração e a alma do carinho. Quem vai passar por sua vida por um minuto e impactá-lo por uma eternidade. Uma pessoa capacitada a quem você pode encontrar por apenas um período de 12 horas, mas que colocará você e os seus acima dele. Além disso a Enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, quanto a obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus? É uma das artes; poder-se-ia dizer, a mais bela das artes!
Qual foi o seu maior aprendizado em sua carreira?
Aprendi a olhar a complexidade da vida e a ter uma visão holística que faz parte do meu modo de ver e ser no mundo. Aprendi a cuidar, ouvir, planejar e ver que o ser humano é muito além do que transparece. Assim, hoje essa profissão é minha vida, passei por diversas experiências na enfermagem, conheci pessoas especiais e descobri coisas incríveis.
Quais o último livro que você leu? Por que escolheu este livro?
Emoções Inteligentes de Tiago Brunet, para aprender como lidar com as emoções, porque ao saber lidar com emoções, eu consigo lidar com pessoas.
Você acredita que a população entende o trabalho do enfermeiro?
Absolutamente não! Nem os próprios enfermeiros entendem o trabalho deles. Quero dizer, muitos ainda estão tentando se achar. Tem pessoas que decidem fazer enfermagem por fazer, mas que não se encontram, não sabem o valor e o poder que tem nas mãos e como podem construir uma linda carreira, cheia de realizações. Vejo a enfermagem de diferentes ângulos hoje, eu diria que a enfermagem é uma das áreas de atuações como a maior diversidade de oportunidades que existe. Portanto, muito enfermeiros não sabem seu lugar, como que a população vai saber? Como sempre falo: pra você ser valorizado, você precisa se dar o valor.
Você sente que é valorizada como enfermeira?
Sim eu me sinto! Por mais que eu diga que o enfermeiro é desvalorizado, principalmente, por conta do salário, sou eu quem determino o meu valor e eu decidir me valorizar. A mudança primeiro ocorre em nossa mente e quando vemos que naquele ambiente não nos encaixamos, então é porque chegou a hora de mudar. As vezes a gente sonha tão alto, mas tão alto, que acabamos não cabendo mais no ambiente em que estamos. Por essa razão, decidi validar meu currículo fora do Brasil e me encaixar a uma cultura onde o enfermeiro formado era o que já era mentalmente, mas iria alcançar na prática.
Qual foi o momento mais feliz que a Enfermagem te proporcionou?
A enfermagem me proporcionou a possibilidade de realizar sonhos, principalmente, a possibilidade de poder ser um profissional reconhecido em um dos países mais desenvolvidos do mundo, ao me oferecer autonomia e valor. Aprendi a olhar a complexidade da vida e a ter uma visão holística que faz parte do meu modo de ver e ser no mundo. Aprendi a cuidar, ouvir, planejar e ver que o ser humano é muito além do que transparece. Assim, hoje essa profissão é minha vida.
O que você considera que poderia melhorar na formação básica do enfermeiro?
No Brasil, acredito que o que precisa mudar na formação básica do enfermeiro é a autovalorização desse profissional. O enfermeiro é uma das peças-chaves no processo do cuidado, então ele precisa reconhecer seu valor. Assim como, o Conselho e a sociedade também precisam reconhecer. Outra coisa é que, o enfermeiro precisa ser instruído desde o princípio a como desenvolver uma carreira de evolução profissional, para que assim seja possível ele se tonar um profissional altamente qualificado tanto a nível nacional como a nível internacional.
Qual conselho você daria para quem está começando a carreira agora?
Para se tornar uma enfermeira pesquisadora, estude e durante a faculdade aprimore o máximo que você puder o seu currículo acadêmico. Faça mestrado, doutorado, se possível dentro e fora do país; aprenda diferentes línguas, de preferência, o inglês e o espanhol; pense na possibilidade de aplicar para ser enfermeiro fora do Brasil, caso você goste de novos desafios.
O que você diria para quem tem interesse em atuar como pesquisador(a)? Por onde começar?
Acredito que a área da pesquisa, para a enfermagem, tem sido o caminho mais inteligente para quem quer crescer na carreira. A atuação de profissionais na área da pesquisa tem crescido cada vez mais nos últimos anos, apesar de ainda não algo bem divulgado. O costume da população ver e ouvir o enfermeiro como um profissional que atua na prática clínica, é muito comum. Tanto que, muitos não entendem ainda o significado de ser pesquisador, muito menos o significado de ‘enfermeiro pesquisador”, e, para falar a verdade, muitos enfermeiros também ainda não têm esse entendimento.
A melhor maneira de começar a carreira como enfermeira pesquisadora é entender que além da prática você pode desenvolver diferentes habilidades e atuar em diferentes áreas na enfermagem. Então, se você está na ainda está na faculdade para se tornar um enfermeiro, isso é excelente! Você pode começar cedo e não perder tempo. Procure fazer parte de grupos ou projetos de pesquisas. Vá atrás de professores da matéria que você mais gosta e pergunte se eles têm algum grupo de pesquisa que você possa se encaixar; desenvolva pesquisas, artigos científicos e publique esses artigos; participe de eventos, todos que você puder. E, se possível, apresente seus trabalhos em desenvolvimento, ou desenvolvidos, nesses eventos; procure por mestrados acadêmicos, aqueles que você já pode começar mesmo ainda estando na faculdade; envolva-se o máximo possível nos projetos acadêmicos que você puder, pois o seu currículo vai falar TUDO sobre você; focar em inúmeras áreas é bom, mas, se você conseguir focar em uma área e desenvolver tudo que você puder nessa área, você será um especialista nela.
E para aqueles que já terminaram a faculdade e não fizeram praticamente nada, calma! Há solução para tudo! A solução é não perder mais tempo e colocar a mão na massa. Procure grupos de enfermeiros pesquisadores e veja se há possibilidade de você se juntar no grupo, para que juntos possam desenvolver trabalhos científicos e publicá-los. Se associe a pessoas que tenham a mesma visão e que queiram crescer como você; participe de eventos, crie eventos, interaja com o meio que você quer atuar e cresce, além de, não esqueça de apresentar os trabalhos desenvolvidos nesses eventos; aprimore o máximo que você puder suas habilidades, carreira e área de atuação; faca mestrado, doutorado, cursos de especialização, ou seja, tudo que te torne diferenciado na sua área.
Isso, já é um bom começo!
Espero que você tenha gostado dessa entrevista. A enfermeira pesquisadora Daiana também participou de dois episódios de nosso podcast, o #1 e o #5. Confere lá:
Episódio #1 – Empreendedorismo na Enfermagem – Daiana e Luana
Episódio #5 – Livros que todo enfermeiro deve ler
Nos vemos no próximo post.



