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O enfermeiro anestesista nos EUA

O enfermeiro anestesista nos EUA possui a educação a nível de mestrado e prática clínica de no mínimo 2 (dois) anos.

O enfermeiro anestesista nos EUA possui a educação a nível de mestrado e prática clínica de no mínimo 2 (dois) anos.

A equipe de enfermagem é o principal grupo de profissionais de saúde que desempenha funções primordiais na prestação cuidados a pacientes internados. Além disso, eles trabalham em colaboração com a equipe médica e como membros de equipes multidisciplinares. Portanto, a ações de enfermagem sem fundamentação e desempenhadas de forma inadequada podem colocar em risco a segurança do paciente. Originalmente, os deveres do pessoal de enfermagem incluem as avaliações de enfermagem de problemas de saúde, ações de enfermagem para prevenção de enfermidades, cuidados de saúde, orientações gerais e aconselhamento de enfermagem, bem como assistência médica auxiliar.

Práticas avançadas

Com a evolução dinâmica da prestação de cuidados de saúde, muitos estudos já demonstraram que os enfermeiros realizam funções estendidas, especialmente nos Estados Unidos, como o Nurse Practitioner (NP), enfermeiro de práticas avançadas e o enfermeiro anestesista. No Brasil essa possibilidade de atuação direta no ramo anestésico ainda não existe, porém é importante para o profissional enfermeiro entender e conhecer todas as formas de atuação existentes no mundo, quais são os limites profissionais e os avanços que podem ser alcançados pelo enfermeiro à medida que ele avança no aprimoramento de conhecimentos técnico-científicos.

Para atuar o enfermeiro anestesista nos EUA possui alguns requisitos são fundamentais, tais como: educação a nível de mestrado e prática clínica de no mínimo 2 (dois) anos, bem como o registro de enfermagem válido como Registered Nurse (RN). Essas e outras e exigências ajudam na elevação do nível de

conhecimento por parte do enfermeiro para desempenho de suas atividades, bem como exigem do profissional de enfermagem maior responsabilidade técnica em todas as ações desenvolvidas dentro do ambiente hospitalar, particularmente na administração de anestesias.

Enfermeiro anestesiologista

O enfermeiro anestesista nos EUA deve possuir um diploma na enfermagem americana, que pode ser Associate Degree in Nursing (ADN) ou Bachelor of Science in Nursing (BSN) e uma licença profissional, o que fará com este profissional seja identificado como um Registered Nurse (RN). Existe mais de um caminho possível para a formação do enfermeiro americano, mas no mínimo todos os fundamentos teóricos da enfermagem, o processo de enfermagem e ciências que são adaptadas para a prática de enfermagem. O estágio é realizado no término de cada semestre e isso permite que o aluno seja inserido dentro do hospital desde o início da faculdade.

Depois de formado, antes do enfermeiro obter a licença para atuar no mercado americano, faz-se necessária a realização de uma prova conhecida como National Council for Licensure Examination for Registered Nurse (NCLEX-RN). Este exame é um requisito em todos os estados norte-americanos para o profissional exercer a função como enfermeiro. Antes disso, o candidato deve realizar o pagamento de uma taxa e passar uma avaliação documental para verificar se está apto a realizar o exame. Após aprovação dessa análise, que irá verificar se o indivíduo possui formação adequada, o candidato a licença de “enfermeiro registrado” poderá realizar o teste, que possui em média 75 questões com duração de 4 horas. O enfermeiro só poderá atuar se for aprovado neste exame.

O aprovado no NCLEX-RN poderá atuar como enfermeiro registrado (RN) conforme o regulamento de cada estado e isto varia bastante nos EUA. Para se tornar um enfermeiro anestesiologista, o enfermeiro deverá cursar um mestrado ou doutorado em ciências da enfermagem, com foco em anestesiologia. Esses programas de pós-graduação também habilitam o enfermeiro a atuar com práticas avançados nas áreas de saúde mental, pediatria, gerontologia, neonatal, emergência e atendimento à família, cada especialização requer foco e habilidades diferentes.

CRNA (Certified Registered Nurse Anesthetists)

O enfermeiro leva em média de 2 anos para concluir o programa de formação em anestesiologia, mas além de todo o estudo intensivo, os candidatos a se tornarem CRNA (Certified Registered Nurse Anesthetists) devem possuir certificação pela NBCRNA (National Board of Certification and Recertification for Nurse Anesthetists), que em português significa Conselho Nacional de Certificação e Recertificação para Enfermeiros Anestesistas, obtida após aprovação no NCE (National Certification Examination), exame de certificação nacional, que é realizado ao longo do ano em diversas datas. Posteriormente os CRNAs devem realizar novas certificações, chamadas de Certificação Profissional Continuada, ou Continued Professional Certification (CPC), em inglês, em um intervalo de 4 anos, o que garante que os profissionais se mantenham atualizados.

Os CRNAs são enfermeiros de prática avançada com formação de nível superior e que atuam sem supervisão médica em muitos estados. Além de fornecer acesso a anestesia segura, de alta qualidade e econômica, os CRNAs assumem forte responsabilidade e prática com alto grau de autonomia e respeito profissional. Os CRNAs podem ocupar cargos de pesquisa e liderança, que utilizam seus conhecimentos e habilidades especializadas.

Atribuições

Os CRNAs são enfermeiros qualificados a executar as práticas avançadas e estão aptos a realizar anestesia com segurança de pacientes cirúrgicos, obstétricos e traumas. Umas das atribuições do CRNAs é realizar avaliação pré-anestésica do paciente, no qual ele realiza avaliação pré-anestésica do paciente com base na entrevista, histórico, resultados laboratoriais e anamnese, realiza administração de medicação pré-anestésica, solicita e exames complementares de laboratório ou de imagem e indica fisioterapia respiratória. O CRNAs acompanha o paciente desde a chegada no centro cirúrgico até a sua saída é o enfermeiro responsável pela indução anestésica até a sua recuperação na sala de recuperação pós-anestésica (RPA).

Durante o período intraoperatório ele é responsável por indicar o tipo de anestesia ideal para o paciente, realizar procedimentos com punção peridural ou raquidiana para administrar anestésicos e opioides, monitorar o paciente durante a cirurgia por meio de ficha anestésica, na qual preenche com os sinais vitais do paciente medicamentos utilizados durante a cirurgia e intercorrência durante o procedimento cirúrgico, além de realizar o balanço hídrico do paciente.

Durante a indução anestésica do paciente por anestesia geral, o CRNAs realiza a extubação endotraqueal e programa todos os parâmetros ventilatórios do carrinho de anestesia, procedimentos invasivos como a inserção de cateteres intravenosos, Swan-Ganz e cateteres de pressão venosa central e pressão arterial invasiva, gerencia toda a terapia intravenosa do paciente, como administração de sangue e eletrólitos dentro do plano assistencial, além de ter a liberdade de iniciar e modificar terapias medicamentosas. As anestesias locais ou bloqueio de plexo são práticas comum para o CRNAs, pois eles desenvolvem habilidades para administrar medicamentos para realizar bloqueio nervosos.

Na sala cirúrgica, os anestesistas sempre estão presentes no início e no final da cirurgia e possuem a responsabilidade de realizar a coordenação e a administração de anestésicos, monitorar o paciente continuamente e determinar a condição de alta do paciente para a UTI, RPA ou direto para casa.

Os CRNAs também são responsáveis pelo paciente na recuperação anestésica, durante a estadia do cliente na RPA, o CRNA realiza o monitoramento de seus pacientes enquanto eles estão se recuperando da anestesia, prescrevem medicações, fornecem suporte ventilatório se necessário e são responsáveis por realizar a alta do paciente na RPA.

Na maioria dos hospitais, os CRNAs geralmente trabalham sob a supervisão de médicos especialistas em anestesiologista, mas em alguns estados americanos eles desenvolvem a prática autônoma e sem supervisão de nenhum. Os CRNAs são distribuídos no centro cirúrgico conforme a sua experiência, habilidade, grau de complexidade e especialidade cirúrgica, pois alguns procedimentos cirúrgicos complexos requerem um profissional altamente capacitado, como transplante de órgãos e cirurgias cardíacas.

A distribuição de CRNAs é feita por um enfermeiro experiente, no qual ele escala um enfermeiro anestesiologista por sala cirúrgica e deixa um CRNA para coordenar a RPA. A jornada de trabalho diária é de oito horas e com uma alta remuneração, pois o déficit de pessoas nesta área é grande. A falta de pessoal qualificado para atuar na área contribui para sobrecarga de trabalho, o que muitas vezes também eleva a jornada diária de trabalho para doze horas ou até dezoito horas.

Nos hospitais, os CRNAs apresentam outras funções, pois na ausência do médico é o profissional de referência em emergências para ressuscitação cardiopulmonar e realiza o manejo clínico do paciente crítico. Realiza consultas anestésicas, rondas pós-operatórias para passar segurança à equipe e prevenir complicações relacionadas à anestesia, faz o atendimento ambulatorial infantil, adulto e geriátrico.

CRNA no Brasil?

O CRNA não existe no Brasil, pois todas as funções são exercidas por médicos anestesiologistas e as atividades privativas ao profissional médico não são compartilhadas com profissionais de enfermagem. Infelizmente o assunto de práticas avançadas no Brasil ainda é muito embrionário e avança lentamente.

Os CRNAs são profissionais de enfermagem que estão aptos a desenvolverem práticas avançadas e em muitos estados norte-americanos praticam sem supervisão médica. São responsáveis por fornecer anestesia segura com alta qualidade e com melhor custo-benefício para o paciente, além de ter um perfil profissional que assume grande responsabilidade. Este profissional realiza a prática da anestesiologia com autonomia e respeito aos pacientes, em colaboração com a equipe multiprofissional. Os CRNAs podem assumir cargos de pesquisa e liderança que utilizem seus conhecimentos e habilidades especializadas e oportunidades para isso não faltam nos EUA.

A prática avançada de enfermagem em anestesiologia não existe no Brasil, pois é uma área da medicina privativa ao profissional médico. Ainda é necessário o desenvolvimento de estudos sobre a forma como o enfermeiro poderia executar essa prática em território brasileiro e como isso poderia impactar os sistemas de ensino e saúde, já que a inclusão deste profissional em tais sistemas exigiria grandes adaptações e regulações específicas. A enfermagem nos EUA é bem avançada, não só para o enfermeiro anestesista, que possui autonomia para realizar a anestesia de um paciente, mas para as demais especializações da área. Os profissionais de práticas avançadas devem se especializar e estudar muito para desenvolver estas atividades, assim como se manterem atualizados. Assim, foi possível observar que há um déficit de artigos nacionais a respeito dessa temática, o que provavelmente decorre da não existência de um profissional com prática semelhante na enfermagem nacional.

Texto adaptado de meu artigo original:

Flauzino, V. H. P., Vitorino, P. G. S., Hernandes, L. O., Gomes, D. M., & Cesário, J. M. S. (2021). Prática Clínica Do Enfermeiro Anestesista Nos Estados Unidos da América. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. 14 (5), 179-193. DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/estados-unidos.

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