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Educação digital na formação de profissionais de saúde

A educação digital na formação de profissionais de saúde são necessárias discussões permanentes a respeito das estratégias utilizadas no EAD.

O ensino digital (ED), um avanço da educação à distância (EAD), pode ser definida como a prática da utilização de meios tecnológicos nos métodos de ensino, muitas vezes aliada à obtenção de processos de aprendizagem mais dinâmicos, com o benefício de fornecer para os professores um universo vasto de inúmeros métodos de ensino. O ED ocorre na maior parte no formato digital, seja por videoaulas, livros eletrônicos (ebooks), plataformas de interação entre tutores x alunos etc. Estudos mostram que o uso de tecnologias digitais pode auxiliar os processos educacionais, ao fornecer novas formas de ensino para expandir o conhecimento do aluno.

Em paralelo, se não for escolhido a metodologia adequada pelo professor, o processo de educação pode ser prejudicado. É reconhecido que a internet expandiu o acesso e o conhecimento universal e diminuiu as barreiras físicas da educação tradicional, na qual impacta diretamente no ensino por ED e permite uma interação eficiente e ilimitada entre os usuários.

Durante a pandemia do covid-19 foram instaladas medidas de proteção governamental e distanciamento social, que causaram a suspensão das aulas presenciais e orientaram a adaptação de metodologias para o ensino na modalidade a distância. O surto da covid-19 teve um impacto significativo no número de usuários da internet, que aumentaram significativamente e exigiu rápida adaptação das mais diversas instituições, empresas e colaboradores.

Nesse contexto, a formação do enfermeiro e outros profissionais da saúde, tão necessária em um momento de pandemia devido a importância para a saúde global, foi uma das principais discussões da sociedade, principalmente no que se refere a manter uma boa qualidade no ensino digital, sem prejudicar a formação prática, laboratorial e clínica, necessárias para o exercício profissional.

Adequações

Devido à importância do isolamento social as universidades foram obrigadas a adequar seus cursos ao método remoto, em sua maioria no formato digital. Mesmo assim as instituições de ensino se disponibilizaram a montar toda a estrutura para que as aulas on-line acontecessem. Após a adaptação de cursos como o de enfermagem a essa nova metodologia, algumas dúvidas a respeito de como seria possível trabalhar a interação humana surgiram (Bastos et al., 2020). Ao longo dos últimos anos esse sempre foi um questionamento e até uma barreira para o avanço de cursos nessa modalidade, porém com o novo método imposto pelo cenário de pandemia, essa nova realidade permitiu que finalmente os educadores buscassem formas de ensinar de forma remota e manter o elemento humano, tão necessário para a prática dos profissionais de saúde.

Nesse contexto, espaços para conferências e interação entre professores e alunos foram criados, recursos audiovisuais como gravações de vídeos em laboratórios foram criados com o objetivo de manter uma aproximação entre professor e aluno. Por todo o Brasil foi possível observar um momento das universidades para facilitar e criar meios para que os alunos conseguissem acompanhar a demanda curricular. Porém assim como no ensino dos primeiros anos, ficou evidente o problema de acesso que muitos discentes enfrentam. Foi necessário um suporte e olhar diferenciado para que essas questões que sejam solucionadas.

No que diz respeito a área da saúde, os discentes apresentaram medos e questionamentos a respeito de sua formação e em meio a discussões do que se fazer neste caso, surgiu outro problema, a falta de acesso e preparo para ensinar remotamente, por parte dos docentes. Juntos, discentes, docentes e universidades precisaram buscar meios para tentar fazer que as coisas funcionassem em meio a pandemia. Por parte da universidade, foi possível observar uma tentativa de facilitar o acesso, com a entrega de equipamentos para professores e chips de celulares com pacotes de dados para navegação por parte dos alunos, somadas a falta de acesso de muitos colegas, forçaram as universidades a adotarem meios para tentar recuperar tais alunos.

Falta de preparo dos professores

A falta de preparo de professores foi em parte resolvida com treinamentos e a entrega de videoaulas no formato digital, o que facilitou a entrega do conteúdo, mas que ainda sim, não resolvia o problema da falta de interação humana. No ensino digital da área da saúde deve ocorrer um planejamento que reúna estratégias que viabilizem a entrega do conteúdo, permita ao discente desenvolver seu raciocínio crítico e julgamento clínico. Cabe ressaltar que o uso adequado do ensino digital proporciona ao profissional de saúde o desenvolvimento no manuseio de novas tecnologias, que irão se refletir em sua prática e na entrega das ações desenvolvidas durante o exercício profissional.

Ocorreram prejuízos na formação dos futuros profissionais?

No início da pandemia a preocupação eram os possíveis prejuízos na formação dos futuros profissionais de saúde, no entanto, após um ano do início da pandemia a maioria das instituições de ensino já haviam se adaptado ao novo formato e sempre que autorizado pelos governos locais, foi realizada a inclusão de aulas no formato híbrido, ou seja, as aulas teóricas eram entregues no formato digital e as aulas práticas, em laboratórios, sem deixar de tomar as medidas necessárias para evitar a contaminação. As universidades que não se adaptaram viram os alunos se transferirem para outras instituições. A adaptação de discentes e docentes ao formato digital foi essencial para manter a formação destes profissionais.

Antes muitas vezes proibidos em sala de aula, aplicativos como Whatsapp, Spotify, Youtube, Skype entre outros, passaram a fazer parte da rotina acadêmica. O ED, com uma mentoria e suportes adequados, contribuiu para a consolidação da entrega teórica de conteúdos importantes em sala de aula, o que se tornou uma opção de estudo, utilizada e usufruída pelos alunos durante a pandemia e que irá perdurar por muito tempo. Por conta dos valores mais acessíveis e flexibilidade, a cada dia que passa, o ED se consolida mais.

A educação digital na formação de profissionais de saúde Em diversos lugares do Brasil, discentes da área de saúde se reuniram na tentativa de discutir e elaborar propostas que melhorassem o atendimento ao paciente portador do vírus, além de desenvolver estratégia de proteção e cuidado. Por meio de plataformar como Instagram, Sympla e Youtube, os discentes organizaram lives educativas e começaram a desenvolver novas habilidades, antes pouco exploradas nos cursos da área da saúde. O avanço da pandemia maximizou a necessidade do desenvolvimento da prática interdisciplinar e interprofissional entre os profissionais de saúde. Os discentes de diversos cursos da área da saúde passaram se articularam em projetos de solidariedade, como a doação de sangue, e iniciativas de aproximação para a construção de projetos comuns que já existiam há vários anos, mas não eram compartilhados.

A digitalização

O avanço tecnológico marcado pela digitalização e advento da internet promoveram uma completa mudança na interação do indivíduo com o mundo, seu comportamento social e os processos de ensino-aprendizagem, pois tais avanços podem beneficiar as metodologias ativas de ensino na educação superior para oferecer conteúdo de qualidade em formatos de texto, vídeo e imagem, assim como os processos de mentorias tradicionais.

A inserção do discente da área da saúde no ambiente de aprendizagem virtual de ensino lhe fornece a capacidade de responsabilizar-se, de maneira autônoma, por seu tempo disponível, otimiza os processos internos de memorização e raciocínio. Com isso a educação digital é importante discutir algumas oportunidades atuais para a utilização desses ambientes na formação de enfermeiros, médicos e outros profissionais de saúde, para melhorar a disponibilização de conteúdos e aproveitar o potencial dessas ferramentas tecnológicas. O ED é uma ótima oportunidade para fomentar um ensino de excelência, mais democrático e estimulante.

O ED se transformou no principal método de ensino durante a pandemia, pois favoreceu o acesso de diversos discentes à sala de aula e isso ocorreu em um momento da pandemia em que o número de infectados não parava de crescer. Cabe ressaltar que em 2019, o Conselho Federal de Enfermagem foi um grande crítico da educação a distância na formação inicial e colocou em dúvida a qualidade da formação dos profissionais de enfermagem formados por esse método de ensino, já que a profissão exigia a interação humana.

Ainda que com argumentos válidos, hoje é possível observar que o ED tem mais a contribuir positivamente do que negativamente na formação destes profissionais, pois desenvolve habilidades novas exigidas pelo mundo atual, cada vez mais conectado. A educação digital no meio virtual fornece uma enorme quantidade de informações, que possibilitam ampliar horizontes e permitem o acesso sem fronteiras ao conteúdo educacional para a construção do conhecimento.

A educação digital na formação de profissionais de saúde pode ser utilizada da forma adequada, o ensino digital possui inúmeras possibilidades na formação do profissional de saúde e são necessárias discussões permanentes a respeito das estratégias utilizadas no ED, de modo que esse método seja aperfeiçoado. O ED transformou o cenário educacional e contribui, quando utilizado corretamente, para a substituição do ensino passivo e arcaico, por um método de ensino interativo. Este estudo buscou discutir a ED como estratégia de ensino na formação dos profissionais de saúde e espera-se que contribua para novas discussões a respeito dessa temática. A pandemia impôs novas formas de atuação e isso afeta as áreas de ensino e saúde, portanto estudar novas formas do processo ensino aprendizagem e como estimular o discente na construção do conhecimento permitirão o desenvolvimento do ED na área da

saúde.

Texto adaptado de meu artigo original: Gomes, D. M., Mejía, J. V. C., Vitorino, P. G. da S., Ribeiro, D. V., Hernandes, L. de O., Lima, T. O. de P., Chã, N. V., Flauzino, V. H. de P. ., Cusato, T. V., & Cesário, J. M. S. (2021). Digital education in the training of health professionals. Research, Society and Development, 10(8), e4110816885. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i8.16885.

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